Foi ontem, no
tempo da criatividade, e há alguns anos, no tempo do relógio, que eu menina sonhava
viajar num balão, subir indefinidamente pelas nuvens até bater no teto do céu.
Pensava, eu, se o teto do céu era de madeira ou de telhas de barro. E pensava,
ainda, se algo haveria para além do teto celeste: curiosidades que inquietavam
minha pouca existência e me levavam ao desejo de desligar os pensamentos.
Pronto, algo novo despertava meu interesse: como faria para desligar meus
pensamentos? Seria possível encontrar em algum lugar de mim um botão? E
descobri que o esforço para não pensar em nada era muito maior, então voltava
pera meu balão e viajava no espaço-tempo dos grandes mistérios da humanidade: a
luz, a chuva, as estrelas e a lua, sempre ali pendurada no teto do céu.
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