Conjunto de retas não paralelas, sou, e uma luz clara no cabelo que só se pode ver de muito perto. Tons de misturas de solos, a quem busca terra firme, e contida inundação no esboço do sorriso. Retas não paralelas, sou, carrego no peito fé e memória, germino no giro do meu ventre. Meus olhos estão abertos, vendo os teus, estão muito abertos e veem os teus. Minhas tatuagens se desenham do lado avesso da pele, já descobri um imenso dragão. Retas não paralelas fazem portão?
domingo, 24 de agosto de 2014
Gema
Era assim, eu e ele, nessa ordem. Eu tinha mãe, ele madrasta. Eu branca, ele negro, um mais sujo que o outro, pés descalços. Éramos os mais velhos da turma, ele com vantagem de exatos quatro meses, eu com a vantagem de mais irmãos. Ele sempre dizia que o nome do amor da sua vida era o meu e eu nunca pensei que seu amor fosse meu. Na memória, a gema cheia de sal pela disputa de quem poderia suportar mais - rimos, sem suportar, cúmplices na trégua e na derrota que veio de fora: agora vocês vão comer esses ovos até o fim. Éramos assim, eu, ele, gema amarela feito sol. Veio a mudança, do caminhão via meu amigo ficando para trás, queria que ele parasse de chorar. Nunca entendi seu nome, já nem preciso, é como riso de criança, sem rumo, rio.
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