domingo, 22 de setembro de 2013

Amores suspensos

despede-se do inverno a mocinha de um romance barato
daquele que enche os corações de ansiedade, angústia e dor por um final feliz
que se encerra junto às folhas já perdidas do outono e trinca as paredes do miocárdio congelado
saudando a primavera que se aproxima e sorri,
estendendo suas dóceis e frágeis mãos
convidando ao sol que ainda tímido bate nas vidraças dos tristes olhos
amores suspensos nos galhos das árvores como frutos
que oferecidos confundem as mentes em prazer e pecado
e a terra satisfeita dá a luz ao mundo
regenerando em seu ventre acolhida para nova semente.

domingo, 15 de setembro de 2013

Éter na mente

Éter na mente
Alguma certeza, cá dentro, de que a vida
é demais rouca, demais surda para tantas palavras

É ter na mente:
saber-se mais, ver-se menos;
querer mais, poder menos.

Eternamente
Vendem-se ilusões pelo mesmo preço de uma consciência tranquila.
Fecho meus olhos e tudo está no exato lugar onde guardei.
Teu amor é para a eternidade.
e levo comigo a sensação de que esta promessa existe, mas quase que nem me pertence.

("éter na mente - é ter na mente - eternamente" 
- lido em algum muro, há algum tempo).


(anos depois, descubro a poesia de Walter Franco, deixada no muro sem autoria:

Eternamente
É ter na mente
Éter na mente
E, ternamente

Eternamente).

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Minuto

interceptar
alcançar
correr, sem pensar, correr
riscar qualquer não que impeça chegar
traçar
ou
tramar
abraçar a alegria instantânea do riso sozinho que paira no ar
levitar
mãos, braços, a alma quer segurar
minutos que caem como folhas no ar
mergulhar
olhos rasos de rio
afundar sem medo do mar acabar
molhar
chuva leve no cabelo, secar
sol na pele a passear
lembrar
desenhar na memória a nossa história, cantar
voz e vento que leve a tristeza
desenhar
teu rosto bonito
e pedir
pra ficar.


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Limiar

essa porta estreita
tem arranhado meus braços e pernas
quando toda manhã o guardião do limiar me diz: ainda não!
no eco da negativa retorno sonhando com a aventura mágica
perdido nesse violento som penso se a aventura já não é
e se por onde desejo entrar é justamente a porta de saída
será o desejo apenas fuga do desejo?
labirinto de mim, minto pra mim, por mim, sem mim
e uma voz distante ecoa gritando: as coisas são o que são!
e uma voz gritada faz eco distante: eu sei, eu sei!
enquanto objetos vão mordendo pernas e braços
enquanto construções desmoronam lançando pó em meus olhos
enquanto tudo aqui dentro espera por nova manhã.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Descoberta

Ao ouvir tão perto
o teu coração bater
pulsei com teu sangue os meus desejos
e desatei em lágrimas todos os nós

[talvez seja este o tal segredo de liquidificador]