despede-se do inverno a mocinha de um romance barato
daquele que enche os corações de ansiedade, angústia e dor por um final feliz
que se encerra junto às folhas já perdidas do outono e trinca as paredes do miocárdio congelado
saudando a primavera que se aproxima e sorri,
estendendo suas dóceis e frágeis mãos
convidando ao sol que ainda tímido bate nas vidraças dos tristes olhos
amores suspensos nos galhos das árvores como frutos
que oferecidos confundem as mentes em prazer e pecado
e a terra satisfeita dá a luz ao mundo
regenerando em seu ventre acolhida para nova semente.
domingo, 22 de setembro de 2013
domingo, 15 de setembro de 2013
Éter na mente
Éter na mente
Alguma certeza, cá dentro, de que a vida
é demais rouca, demais surda para tantas palavras
É ter na mente:
saber-se mais, ver-se menos;
querer mais, poder menos.
Eternamente
Vendem-se ilusões pelo mesmo preço de uma consciência tranquila.
Fecho meus olhos e tudo está no exato lugar onde guardei.
Teu amor é para a eternidade.
e levo comigo a sensação de que esta promessa existe, mas quase que nem me pertence.
é demais rouca, demais surda para tantas palavras
É ter na mente:
saber-se mais, ver-se menos;
querer mais, poder menos.
Eternamente
Vendem-se ilusões pelo mesmo preço de uma consciência tranquila.
Fecho meus olhos e tudo está no exato lugar onde guardei.
Teu amor é para a eternidade.
e levo comigo a sensação de que esta promessa existe, mas quase que nem me pertence.
("éter na mente - é ter na mente - eternamente"
- lido em algum muro, há algum tempo).
(anos depois, descubro a poesia de Walter Franco, deixada no muro sem autoria:
Eternamente
É ter na mente
Éter na mente
E, ternamente
Eternamente).
(anos depois, descubro a poesia de Walter Franco, deixada no muro sem autoria:
Eternamente
É ter na mente
Éter na mente
E, ternamente
Eternamente).
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Minuto
interceptar
alcançar
correr, sem pensar, correr
riscar qualquer não que impeça chegar
traçar
ou
tramar
abraçar a alegria instantânea do riso sozinho que paira no ar
levitar
mãos, braços, a alma quer segurar
minutos que caem como folhas no ar
mergulhar
olhos rasos de rio
afundar sem medo do mar acabar
molhar
chuva leve no cabelo, secar
sol na pele a passear
lembrar
desenhar na memória a nossa história, cantar
voz e vento que leve a tristeza
desenhar
teu rosto bonito
e pedir
pra ficar.
alcançar
correr, sem pensar, correr
riscar qualquer não que impeça chegar
traçar
ou
tramar
abraçar a alegria instantânea do riso sozinho que paira no ar
levitar
mãos, braços, a alma quer segurar
minutos que caem como folhas no ar
mergulhar
olhos rasos de rio
afundar sem medo do mar acabar
molhar
chuva leve no cabelo, secar
sol na pele a passear
lembrar
desenhar na memória a nossa história, cantar
voz e vento que leve a tristeza
desenhar
teu rosto bonito
e pedir
pra ficar.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Limiar
essa porta estreita
tem arranhado meus braços e pernas
quando toda manhã o guardião do limiar me diz: ainda não!
no eco da negativa retorno sonhando com a aventura mágica
perdido nesse violento som penso se a aventura já não é
e se por onde desejo entrar é justamente a porta de saída
será o desejo apenas fuga do desejo?
labirinto de mim, minto pra mim, por mim, sem mim
e uma voz distante ecoa gritando: as coisas são o que são!
e uma voz gritada faz eco distante: eu sei, eu sei!
enquanto objetos vão mordendo pernas e braços
enquanto construções desmoronam lançando pó em meus olhos
enquanto tudo aqui dentro espera por nova manhã.
tem arranhado meus braços e pernas
quando toda manhã o guardião do limiar me diz: ainda não!
no eco da negativa retorno sonhando com a aventura mágica
perdido nesse violento som penso se a aventura já não é
e se por onde desejo entrar é justamente a porta de saída
será o desejo apenas fuga do desejo?
labirinto de mim, minto pra mim, por mim, sem mim
e uma voz distante ecoa gritando: as coisas são o que são!
e uma voz gritada faz eco distante: eu sei, eu sei!
enquanto objetos vão mordendo pernas e braços
enquanto construções desmoronam lançando pó em meus olhos
enquanto tudo aqui dentro espera por nova manhã.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Descoberta
Ao ouvir tão perto
o teu coração bater
pulsei com teu sangue os meus desejos
e desatei em lágrimas todos os nós
[talvez seja este o tal segredo de liquidificador]
o teu coração bater
pulsei com teu sangue os meus desejos
e desatei em lágrimas todos os nós
[talvez seja este o tal segredo de liquidificador]
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