Silêncio me encharca como espuma do mar, até os joelhos
e com sua correnteza leve
lava minhas pernas
leva as folhas de outros outonos
e essa sensação de não merecer
nem o bem
nem o mal
lança-me para outra margem
onde meus olhos contemplam mundo diverso e disperso
onde meus pés caminham
sobrepostos aos seus dias de sol, poeira e cansaço - entre tantos
entretanto,
peço às voltas das suas ondas que me soltem
quero com meus braços encontrar porto
para este aberto abril dentro do peito.
Não me peça pra ficar, mas fique em mim: sagrado fim
e recomeço.