construído pedra a pedra este muro entre nós
com cada pedaço do coração que foi caindo pelo caminho
com todas as dúvidas
com todas as dívidas
cimentadas pela comum inabilidade em ser feliz
a cada novo horizonte por onde cresce esta muralha
prendo-me ao último olhar lançado
não entendi se era grito por socorro
ou pedido por cuidado
mas foi silêncio e despedida
tantas são as palavras que poderiam ainda ser ditas,
mas desencorajadas assustam-se no fundo da alma
desbotam, esquecendo pouco a pouco.
sei que se um muro existe vizinhos somos (sussurro que mitiga a dor)
reacende no coração pequenina lâmpada: que a vida nos traga com gentileza infiltrações e rachaduras
para que saibamos com verdade responder: QUEM SEREMOS QUANDO ESTE MURO RUIR?
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
sábado, 7 de dezembro de 2013
Azul
corria para seu certo futuro incerto
mãos estendidas para o velho sonho acalentado no peito
aquele que todo mundo um dia alimentou e guardou segredo
mas de tantas as esquinas que existem nessa vida
pensou que o sonho não era bom
e cansada andou apenas por linhas retas
ofertando as mãos apenas ao que seus olhos podiam ver
e tudo foi se tornando cada vez mais coerente, previsível, seguro e atestado com todas as garantias,
se não de felicidade,
de estabilidade contra qualquer loucura do coração
porque ninguém está obrigado a ver o outro lado das coisas
ainda mais quando do lado de cá faz uma sombra até que fresca.
(Só não se esqueça meu bem: o tempo tem das suas traições e aguarda preparando tempestade - no exato dia em que a sombrinha não estiver na bolsa cairá do céu uma chuva de tinta azul, inundando e desnudando tua alma em desesperada saudade).
mãos estendidas para o velho sonho acalentado no peito
aquele que todo mundo um dia alimentou e guardou segredo
mas de tantas as esquinas que existem nessa vida
pensou que o sonho não era bom
e cansada andou apenas por linhas retas
ofertando as mãos apenas ao que seus olhos podiam ver
e tudo foi se tornando cada vez mais coerente, previsível, seguro e atestado com todas as garantias,
se não de felicidade,
de estabilidade contra qualquer loucura do coração
porque ninguém está obrigado a ver o outro lado das coisas
ainda mais quando do lado de cá faz uma sombra até que fresca.
(Só não se esqueça meu bem: o tempo tem das suas traições e aguarda preparando tempestade - no exato dia em que a sombrinha não estiver na bolsa cairá do céu uma chuva de tinta azul, inundando e desnudando tua alma em desesperada saudade).
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