Do requintado e longo processo do Criador existo, como outro qualquer, mas extraído da terra por humanas mãos nasci, com o destino certo de ampliar seus olhos, humanos. Esquecido ao ar retorno ao princípio, revelando aos poucos a ferrugem que sempre fui. Suspenso neste quadro, meu olho trincado enxerga a moça, que humana partiu, enquanto persisto na forma que ainda me define. Som do trem, braço elevado e o crepitar de um coração emprestado: a fragilidade da vida, da moça, humana, desfeita na rudeza do ferro, o mesmo que sou, moldado e definido para servir. Na amplitude do último olhar, caído na terra que não me absorvia fiquei, sem chama, ciente do meu estilhaço, do ranger dos freios sobre os trilhos, testemunha, desde que esse mundo se fez em ferro, até mesmo no sangue, humano.
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