Hoje encontrei com uma moça que há anos não via. No bege da fotografia as lembranças foram recolorindo com vermelho e verde os contornos da juventude e da esperança. Como se meus pés adentrassem outra vez a madeira, ensaiando voltas ao som da radiola, reconheci aquela menina: semente do que sou. Entretanto, árvore em si mesma, espalhando suas folhas ao sabor do vento. Quantos passos caminhei até fechar a porta? Seus olhos me fitam desejosos de futuro, os meus a envolvem com calmaria de perdão: nesse encontro ecoam vozes de porcelana, a xícara caída anunciando a partida, a vida balançando nos ramos da alfazema.
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