Se pela tua estrada
eu pudesse medir as distâncias
que me impediram chegar
e ao chegar tão longe
eu pudesse voltar
mas como voltar pelas linhas cruzadas das tuas mãos?
Não sei se foram estes olhos
caídos na mudança
caídos dentro dos meus
candeeiro aceso na escuridão do meu peito
Não sei se estes olhos
são retalhos desfiados de uma trama
do vestido que sou eu
balançando solitário no varal
fio invisível que nos alinhavou e esqueceu
Se o teu nome fizesse de mim gente de bem
Se o teu corpo fizesse de mim gente feliz
mas a vida não quis
e tanto mais não quisemos
imensas chuvas transportaram para o outro lado desse rio
os nossos filhos
e o nosso porta retrato
mas ainda assim
tu és como semente rara nesse sertão inabitado
quando germina na palma da minha mão o teu coração aflito.
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