domingo, 25 de novembro de 2012

Sempiterno

Jogo infinito de palavras que sustentam o meu ser. Deseja, mas deleta no parágrafo seguinte. Fossem ainda os tempos da datilografia e papéis amassados subiriam pelas pernas.


Quero história singela, mas apenas reconheço as vontades que ela traz. 

Singelo chão de terra e roupa branca empoeirando no varal. Casa simples, além da porta uma janela que avista estrada, longa estrada esperando alguém que vem de longe, trazendo na pequena mala notícias de mundo distante.
Tem cachorro no quintal (no meu sempre haverá) e a criança brinca com a bacia cheia d’água perto da árvore.


A criança suja a água com a terra e a terra pinta a criança com tinta fresca.


O olhar se lança pela janela esperando o amor que vem na estrada, cantarolando música chiada e triste. O olhar se deita no chão sobre pés descalços e sujos. Pássaros voam em constante adeus enquanto a estrada turva os pés molhados na bacia. Pinto-me com as mesmas cores da criança. Nela vários tons, em mim tom de alegria silenciosa.


Vento quente: limpa poeira antiga e traz a nova: o mundo agora está completo.

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