Quero história singela, mas
apenas reconheço as vontades que ela traz.
Singelo chão de terra e roupa
branca empoeirando no varal. Casa simples, além da porta uma janela que avista
estrada, longa estrada esperando alguém que vem de longe, trazendo na pequena mala
notícias de mundo distante.
Tem cachorro no quintal (no meu sempre
haverá) e a criança brinca com a bacia cheia d’água perto da árvore.
A criança suja a água com a terra
e a terra pinta a criança com tinta fresca.
O olhar se lança pela janela
esperando o amor que vem na estrada, cantarolando música chiada e triste. O
olhar se deita no chão sobre pés descalços e sujos. Pássaros voam em constante
adeus enquanto a estrada turva os pés molhados na bacia. Pinto-me com as mesmas
cores da criança. Nela vários tons, em mim tom de alegria silenciosa.
Vento quente: limpa poeira antiga
e traz a nova: o mundo agora está completo.
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