sábado, 27 de dezembro de 2014

Tempo

tempo: construtor e dinamite
pó que se mistura ao vento
sacode a saia das mulheres
seca o cabelo do menino que entrou no rio
leva pra longe o pensamento que virou palavra
e os instantes do amor que existiu, só ali,
naquele minúsculo espaço da bolha de sabão que ninguém viu
tempo
rabisca suas linhas pela pele
dobra a coluna do homem que era forte e deus
faz da semente a mesa onde se alimenta família
faz do alimento o húmus que envolve a semente
tempo
templo do ciclo de vida no piscar de olhos
no perdão
na descoberta
nas roupas e risos que mudam como folhas que caem
na agitação do erro
na imensidade do grão.

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