essa porta estreita
tem arranhado meus braços e pernas
quando toda manhã o guardião do limiar me diz: ainda não!
no eco da negativa retorno sonhando com a aventura mágica
perdido nesse violento som penso se a aventura já não é
e se por onde desejo entrar é justamente a porta de saída
será o desejo apenas fuga do desejo?
labirinto de mim, minto pra mim, por mim, sem mim
e uma voz distante ecoa gritando: as coisas são o que são!
e uma voz gritada faz eco distante: eu sei, eu sei!
enquanto objetos vão mordendo pernas e braços
enquanto construções desmoronam lançando pó em meus olhos
enquanto tudo aqui dentro espera por nova manhã.
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